COMO SE PERMITIR SER A SUA MELHOR VERSÃO   

 

Ontem bebendo um sumo de limão e hortelã pensava que a vida é feita de escolhas em momentos difíceis. Há  sem dúvida  na vida picos e vales, altos e baixos.

A minha única certeza na vida era que eu queria ter uma família e tinha a certeza que queria ser Mãe. Sempre estudei imenso para alcançar os meus objectivos profissionais. Queria ter opção de escolha e queria puder oferecer mais aos meus pais. 
No entanto, hoje sinto que falhei. Não tenho filho, sou mãe , mas não tenho filho. Tenho licenciatura e já  trabalhei em vários  hospitais muito bons em Cardiologia, Pneumologia e Sono. Mas, hoje, não  trabalho na minha área profissional. E isso entristece-me muito. Não tenho o meu filho e não  alcancei os meus objectivos profissionais. Os meus sonhos foram-me roubados. Parece que tenho a vida estagnada.
Nao sei quando vou voltar a ver o meu filho Santiago. Nao sei quando vou finalmente conhecer a cor dos olhos do meu filho. Nao sei quando vou acalmar esta dor que me ocupa o coração. Tenho um buraco no peito desde o momento em que senti que me iam roubar o meu filho dos meus braços. A dor é  física. A dor existe e sente-se no corpo.

Todavia, sinto que tenho de acreditar que esse dia chegará . Já  lá  vão  5 anos de espera. Todos os dias sem saber como está o Santiago, com quem está , e como está. A dor existe desde o momento em que senti que queria que existisse um buraco no chão para me esconder com ele e fugir. O meu menino.

Mas depois veio a revolta. Após  a denúncia, ou melhor a coragem de denúncia , vieram as desconfianças das pessoas e as mentiras. Já  não  se sabe bem lidar com a dor de ver um filho ser roubado, mas com a malícia da dúvida  e o esforço dos outros para me desacreditarem é ainda pior.
Como tenho lidado com isto? Como tenho conseguido lidar com tudo isto?
O mais incrível é  que nunca tomei antidepressivos para lidar com esta situação. Há  pessoas que dizem que sou forte.
Eu não posso desistir do Santiago. Ele merece saber a verdade. Ele vai sempre querer saber porque não cresceu com a Mãe dele.
Entretanto, sinto que tenho de lutar pela minha carreira profissional. Mas como? Por vezes sinto que não tenho lugar num sistema que não tem vagas abertas ao público  de forma acessível a todos. Um sistema onde todos são  amigos e conhecidos e o teu currículo não  vale por si só.

Onde está  a miúda focada e batalhadora que fui outrora?

Onde está  a motivação? Estudei imenso para agora desistir da minha carreira profissional. Eles roubaram-me o meu filho, roubaram-me a minha carreira profissional que ambicionava mas não  podem roubar tudo. Eu não posso desistir dos meus sonhos.

Não precisamos de ser perfeitos. Mas teremos de viver com as nossas escolhas. Todos temos de fazer escolhas, umas mais difíceis do que outras. Mas primeiro tenho de ser grata todos os dias por tudo o que tenho. E tenho de praticar este acto de gratidão, tal como ter água  para beber, ter um tecto que me protege para dormir, ter comida para me alimentar, ter saúde. Há  tantas razões  para sermos gratos. Não posso ser tão crítica  para comigo. Tenho de cuidar do que digo a mim própria. Vou procurar visualizar a minha realidade.
Tenho de voltar a ser a miúda focada e motivada que fui outrora.
Focar em ser grata, para ter força  para conquistar o que mais quero – o meu filho Santiago.

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