Como lidar com o sofrimento do roubo do nosso bebé para a adopção forçada

sofrimento Adopçao forçada

Ninguém jamais pensa que um dia vai ter o sofrimento de ter o seu bebé recém-nascido roubado. Do que dizer então, de ter o nosso filho enviado para desconhecidos, para adopção.

Leonardo, eu e o Santiago.
Santiago

Sonhos de uma vida arrancados em dias e sem a mínima compaixão. Do que dizer então, da exposição da nossa dor e falta de empatia por quem nos questiona “o que usaram contra vocês? Mas tiveram que apresentar uma razão. Eles não tiram bebes assim sem terem uma razão muito forte”.

Hoje, felizmente percebo que não sou só eu. Não, não fiz nada de errado. Não me condeno e não posso condenar-me.

O sofrimento silenciado

Quando visito um grupo privado nas redes sociais de nome “End Forced Adoptions and Fostering Official UK” e tem 2500 membros onde tu vês que realmente não és a única a quem roubaram o teu bebé.

Esta semana li a postagem de uma Mãe, que tem feito tudo o que lhe teem exigido para ter a sua bebe devolvida ” Eu tive o meu encontro de dizer adeus na Segunda-feira. Estou absolutamente de coração partido”. Eu sei o que esta mãe sente. No entanto, eu não tive nem o momento de despedida do meu filho Santiago. Por um lado, ainda bem, porque julgo que podia ter feito justiça pelas minhas mãos. Como uma Mae diz adeus ao seu bebe amado? Como podem fazer isto as famílias?

Mas pior, é leres os comentários à partilha desta Mãe – são mais de 150 testemunhos de outras Mães, pais e avós que passaram pela mesma situação. As famílias comentam e partilham as fotos desse ultimo encontro, ou de outras fotos com os filhos antes de terem sido roubados.

Alguns testemunhos são:

  1. “Não há nada pior do que dizer adeus. É cruel. Mantém-te forte. Esta é a minha ultima foto junta com os meus adorados filhos, foi ha dois anos atras em Dezembro. Eu lembro cada momento. Eles foram adoptados o ano passado e eu estou em Tribunal no proximo mes para desafiar para uma adopção aberta e encontros regulares. Eu seguro-me ao dia em que os voltarei a ver outra vez. Nunca desistas, fé! Tu talvez consigas opor para uma adopção aberta, no futuro e encontros regulares.
  2. “Eu perdi os meus filhos em 2011”.
  3. “Esta é a foto onde vi a minha filha pela ultima vez”.
  4. “Eu perdi os meus netos ha 4 anos atras.A dor é horrível.”
  5. “Eu não vejo os meus filhos há 13 anos nem recebo nenhuma carta. O aniversário de um deles está próximo, ele faz 28 anos.”

Ninguém está imune à perda, o luto é algo que todos nós um dia iremos sofrer em algum momento. Perder um familiar ou ter um relacionamento amoroso acabado. Mas, ter um filho roubado por quem acreditamos que exerce o bem e que nos protege é outro nível de dor, frustração, crueldade e angústia. É uma dor física. É um buraco que se sente.

O sofrimento corrói, sobrecarrega e destrói. Haverá alguma forma mágica para lidar com esta dor?


Lágrimas não doem, o que dói

é o motivo que as fazem cair.


O Luto como uma dor solitária

Cada pessoa deve encontrar a sua própria forma de lidar com a dor.

Mas, dá para fazer o luto, ao menos? Não! Claro que não. Não sabemos onde está o nosso filho, como está, nem com quem. E pior, queremos acreditar que um dia o encontro acontecerá, mas temos a noção que a realidade é destorcida. Eu sei, que o Santiago não sabe que foi roubado à sua familia por palavras. Eu sei que ele sente que fui abandonado. Eu sei que lhe contam mentiras.

Saber que tudo deixa marcas numa criança e num futuro adulto. Saber que não estou lá para te protege, Santiago.

Mas eu sei que a vida é uma volta de carrossel que vai para cima, e vai para baixo, e nas voltas que a vida dá, ha famílias que se encontram por conspiração da vida. Por vezes, passam 30 anos, ate se encontrarem. É obvio, que eu espero encontrar o Santiago em muito menos tempo.

O que me faz escrever estas palavras é dizer a todos que há muitas famílias separadas por dinheiro para um negocio obsceno. Mas, o que mais me dói, é o facto de as pessoas não se unirem para conseguirem trazer as crianças.

Em Portugal, há uma etnia a quem os serviços sociais não lhes tocam. Vivem em barracas e as crianças vivem com muito pouco. Eu ja falei com membros desta etnia e ja me contar que um dia quando foram visitados por uma assistente social, o Pai foi buscar uma espingarda e ameaçou-a e a mulher sai a correr e nunca mais voltou.

Eu quando fiz esforços para denunciar os casos dos nossos filhos a Maes Portuguesas em Inglaterra, que foi evidenciado na TVI no documentário Love MOM em Outubro de 2016, fui atacada nas redes sociais por varias mulheres, Portuguesas e Maes. E pior, que também passaram pelo mesmo e que tiveram os filhos roubados.

Mas então? Se eu estava a denunciar e a trazer estes crimes ha luz da sociedade para acabar com este crime, porque me atacariam? Como ha tantas Maes em Inglaterra vitimas do mesmo e não se conseguem unir para terem os filhos devolvidos?

O que nos aconteceu, enquanto sociedade?

Será que ha diferenças entre a etnia minoritária e a raça caucasiana a que pertenço?

Todos nos vemos que se ha um conflito com um membro dessa etnia minoritária, em minutos surgem os outros membros todos. E estão todos para se protegerem. Um por todos e todos por um.

Quando um esta doente, esta a familia toda no hospital em acampamento ha espera de noticias.

E nós? O que nos aconteceu? As mulheres são más umas para as outras. Será por inveja por não terem tido atenção mediática no caso delas? Mas, eu dei voz por varias crianças. Mas mesmo assim, não fui suficientemente boa para elas.

Tenho consciência tranquila que fiz o meu melhor pelo meu Santiago. Eu não irei desistir.

Dói. Sim doi muito. O Natal está para chegar e ja comprei os postais de Natal para enviar, para perguntar por ti Santiago. Ja sei que não recebo resposta. Ja são 6 anos assim, sem saber de ti.

Mas, a forma que encontrei de lidar com esta dor é esta. Partilhar com todos e deixar migalhas na internet para que tu me encontres.

Amo-te muito. Nao ha um dia que não pense em ti. Estas palavras saem do coração e saltam no teclado e acabam escritas neste blog de amor e muita fé. Espero que um dia as encontres e as leias. O que mais quero é que saibas que és amado e sempre foste amado.

Se eu puder inspirar alguém que esteja a passar por um sofrimento muito grande a levar-se e a erguer-se e andar para a frente é bom saber. Contacta-me.

Obrigada por leres estas palavras e adoraria ler o teu comentário.

Como podes ajudar? Deixa o teu comentário nesta página deste blog e partilha com os teus este assunto! 

Com amor,

IOLANDA MENINO

(NOTA: as fotografias expostas teem autorização do administrador do grupo Andy Mousoulou para denúncia e exposição pública)

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6 thoughts on “Como lidar com o sofrimento do roubo do nosso bebé para a adopção forçada”

  1. Existe muitas dores de perda .
    Esta foi uma grande dor ,roubo do nosso Santiago.
    Muita tristeza,muita revolta ,uma grande impotência contra estes demónios.
    Uma grande indiferença pelos humanos.
    Muitas vezes penso ,porque Deus nos deu esta cruz tao pesada.
    Quero crer que um dia o nosso Santiago ,venha saber toda a verdade da sua história e conhecer a sua família biológica.
    Já passou algum tempo do teu nascimento,mas ele está muito presente.
    Todos os dias peço a Deus e ao teu Anjo da Guarda te proteja sempre.
    Meu querido neto Santiago.

    Paula Correia

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  2. Nestes 6 anos que acompanho a Iolanda sei a luta a força misturada com desespero para que o nosso Santiago não seja esquecido e volte para onde nunca deveria ter saído…
    Ninguém imagina tal dor até passar por ela…
    Mas a Iolanda não tem lutado só por o Santiago…quantos roubos a Iolanda denunciou quantas mães ela ajudou???
    Podíamos ser mais solidários uns com os outros mas não…vale mais criticar julgar difamar…
    Que o Divino ajude esta família e se faça justiça pelo Santiago e por tantos outros…
    Força coragem e gratidão por seres uma grande inspiração na minha vida e de tantas outras vidas
    ❤️🙏🏻🌹

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  3. Aida Marina Aleixo Guerreiro

    Meu Deus …eu para poder escrever o que vou escrever , nem sei quantas vezes tirei e voltei a escrever não tenho palavras não tenho pensamentos não tenho forma de me conseguir exprimir sobre este assunto é o quanto me sinto revoltada com vergonha só de o fato ser mãe ser portuguesa e deixarmos chegar a este ponto as coisas como a Iolanda descreve aqui a situação que já tinha conhecimento e não me deixa de revoltar as vezes que tiver que ler sobre isto , sinto que sou culpada disto de nós que somos milhões de mães aqui em Portugal e não nos juntarmos a este assunto que é tão sensível a todos os níveis .
    MÃES VAMOS FAZER ALGO VAMOS AJUDAR A IOLANDA

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  4. Social services have destroyed me my mental health Deteriorated they give me no intervention no support they discriminated me they victimised me for my childhood trauma failed me on a Pams assessment said it was negative said that I needed CBT and DBT before I could parent my children when I had my daughter for nine year no social services involvement they Discriminated my mental health they victimise me having a traumatic childhood and said that I would cause my daughter future emotional harm the list goes on they even discriminated my religion they discriminated against my mental health problems they discriminated me because I’m a material goods called me materialistic Set my daughter I was overweight and I didn’t feed her but she was overweight don’t make sense my daughter there’s more I’m standing my ground with the public I’ve made lots of new people going thru same as me is warriors stick together just want to say rip to Paul brown true warrior gone to soon

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  5. Also I have made substantial changes I’ve completed lots of courses myself off my own back I have done adult social care have a certificate of John bullion in children and young people level one ton mental-health awareness level one I’m doing children and young peoples mental health level two done diversity power to change done recovery tool kit and more lost count and still stole my babies

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  6. I was witness to this beautiful child being wrongly taken from the arms of his parents. I am a health professional and wouldn’t have believed it had I not witnessed it. I did all I could at the time but the wondering if I could have done more haunts me. I was also traumatised and can not imagine the suffering endured by parents in these dreadful situations. I send love and hope for the future that things will change by the efforts of those fighting for justice.

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